O LUTO A GHOST BIKE DO MEU PAI : UM HOMEM QUE PEDALAVA ENTRE AS SERRAS DE CUITÉ E ARARUNA

Não pensei que perderia meu pai de forma tão trágica, principalmente no trânsito na minha e sua amada Cuité. Um motorista desatento dirigindo uma carreta de carga pesada , não obedeceu à placa de “PARE” e ainda fez uma conversão pela contra mão e atropelou  meu pai que estava transitando de bicicleta, os gritos de pare... pare das testemunhas não foram ouvidos pelo motorista , meu pai se foi. O dito cujo do motorista não parou na placa de “Pare” por isso  não irei parar, clamar por justiça contra a impunidade no trânsito e a falta de respeito aos ciclistas. 


O caso chocou a cidade pela violência do crime no trânsito e a nossa família que teve sua estrutura sentimental afetada desde a morte do nosso pai. Os sentimentos que ainda estão fortemente presentes , amigos entre eles do grupo ‘massa crítica’ esteve em Cuité para em memória nidificar a “ Ghost Bike” onde compartilhou seus anseios e indignações sobre a morte do meu pai , Manoel Macêdo  mais conhecido por Sr. Duzinho no dia 01 de Agosto de 2013. A bicicleta sempre foi a companheira do meu pai , pedalava entre as serras de Cuité e Araruna somente para se encontrar com sua namorada , minha mãe. 

Nunca estamos preparados para encarar a perda de um ente querido de forma violenta. Perdi meu pai, recebi a noticia pelas redes sociais e no telefonema de um irmão que aos prantos já se encontrava no lugar . Gritei, chorei  pelos corredores do condomínio e  por toda a estrada que liga João Pessoa a Cuité, não faltaram lágrimas e o por que ? 

Viajei para Cuité só que desta vez no meio do caminho uma pausa que parecia não ter fim. Um fatídico encontro do corpo do meu pai no Gemol em Campina Grande. Imagino o quanto meu pai sofreu pelo peso e tamanho de uma carreta. Tenho certeza que daria minha vida pelo meu pai, assim como ela daria por qualquer filho.

No caixão o beijei, repetido aquele beijo que sempre dava em vida. Inevitavelmente vem o  desespero da última despedida, pois não imaginaria da forma que ele partiu... E partiu da forma mais cruel e brutal que um ser humano poderia partir. 

E a partir do momento nossa Luta começou em busca de JUSTIÇA. Lutamos, fomos para as ruas; cobrar das autoridades. E se passaram três meses e acredito que serão  muitos pela impunidade a mortes de trânsito e o motorista a solto para dirigir mais carretas sem obedecer à sinalização de trânsito e colocar vidas em perigo de morte. 

Meu pai nunca fraquejou, viveu intensamente a vida. Foi pai, avô, amigo, conselheiro, confidente e um guerreiro... Lutou até o fim aos seus 91 anos ainda fazendo coisas de menino com força de um homem  uma energia impressionante! Não há palavras o suficiente para descrever esse momento de tristeza, mas de uma coisa tenho certeza morreu meu ídolo.  Da empresa que transporta combustível nenhum um alô de condolência.  

É preciso tempo e muitas lágrimas para aceitar a morte do meu pai, às vezes quando lembro tento mudar o filme para cenas de um pai herói. Da forma trágica que ele se foi, também fiquei  fisicamente ferido. Inesquecível, mas somente na palavra de Deus , da esposa das filhas de  amigos e amigas encontramos o conforto para a alma. 

Peço a Deus que as lágrimas que agora saem naturalmente dos meus olhos sejam água benta que vem do âmago pelo amor por ele. Nenhuma Justiça será feita para amenizar o vazio que ele deixou , mas em parte  preenchido com o amor da nossa mãe para prosseguirmos as pegadas que ele deixou , regar as plantas que ele plantou honrar a vida como ele honrou. Meu pai não morreu, viveu intensamente  91 anos e nós encontraremos amor nos corações daqueles que nos cercam e se importam com nós, nas pessoas que já sentiram essa dor que estamos sentindo, no pôr do sol na lua no mar sempre terei esse ritual sagrado e diário de lembrar e fixar nas  boas lembranças que perpassa por desafios para sempre dizer do fundo do coração sempre te amarei. 

Dema Macedo 
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Quem é Dema Macedo

O Blogueiro Dema Macedo é Presidente da Asssociação de Moradores no Condomínio Valparaíso no Bessa, em João Pessoa, com ampla participação nas comunidades ao redor e locais do Bessa, faz a ligação do poder público com as comunidades, procurando solucionar os problemas socias, de infraestrutura e apoio familiar. Também participa ativamente do cenário político em em Cuité, município onde nasceu.
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