RETROCESSO : EDUCAÇÃO DE PICUÍ É CITADO POR BLOGUEIRO DA VEJA COMO ANTI PAULO FREIRE

O município de Picuí é o segundo no Brasil a aprovar Projeto de Lei que versa neutralidade politica , ideológica e religiosa nas escolas municipais , pasmem senhores a ideia de uma ONG Escola Sem Partido o nome é aparentemente bacana " Sem Partido " um  engodo só ,  que traduz uma Lei Antidialógica o que é uma alienação , tentar fechar os olhos e as mentes brilhantes para não interpretar de forma diferente  a verdadeira história do Brasil. Privar o método do diálogo , é acrítico , auto-suficiente e impede a comunicação. E por falar em veja , abaixo o desabafo da escritora  Fabiana Agra:   


No mês em que Picuí completa 111 anos de emancipação, a sua Câmara de Vereadores vota e aprova uma lei que, no seu cerne, amordaça os professores do município. A ideia para tal lei vem de iniciativas como as da ONG “Escola Sem Partido”, e de um projeto de lei semelhante, apresentado no Rio por, nada mais nada menos, do que Flávio Bolsonaro – filho do outro Bolsonaro.

A discussão é sobre um suposto processo de doutrinação protagonizado pelas escolas – em especial por docentes da área de humanas – cujo objetivo seria alimentar uma “ideologia comunista” entre estudantes do ensino fundamental e médio. A ONG em questão, tem por objetivo maior aglutinar denúncias e promover ações, com o pretexto de limpar a escola da “ideologização”.

Aí eu pergunto: qual é a ideologia que existe por trás disso?

É obvio que eu também não concordo que educadores ensinem aos seus alunos optarem por determinadas ideologias ou terem certas preferências partidárias. E não acredito que tal seja a prática dos educadores picuienses. Acontece que a proposta da lei ignora que todo posicionamento e conteúdo veiculados no discurso, seja de quem quer que seja, é carregado de “ideologia”, que nada mais é do que o “conjunto de ideias e conceitos que utilizamos para lidar com a realidade e uns com os outros”. Não há, portanto, conversa sem ideologia, bate-papo sem ideologia, ministrar aula sem ideologia.

Até para conhecer os dois lados da moeda, fui dar um passeio no site da ONG “Escola sem Partido”: vi quem são os grupos apoiadores, seus fundadores; vi os links compartilhados pela página... Então, basta uma olhadela por lá para saber quais  ideologias o site defende. Algum tempo atrás, o mesmo site tentou emparedar Cleonilde Tibiriçá, professora da Faculdade de Tecnologia de São Paulo, por considerar que a mesma utilizaria material de “teor ideológico”. A defesa da professora é um libelo contra tudo o que se esconde por trás do movimento e deve ser lido pelos nossos educadores:

“(...) Como professora contratada pela FATEC por meio de concurso público, igualmente me é assegurada a autonomia para, dentro de minha área de especialidade, definir o plano de ensino no formato em que julgar que deva sê-lo. Isso seria o bastante para apenas ignorar sua ameaça (e é disso que se trata, já que, salvo melhor juízo, não há qualquer embasamento científico que confira ‘foros’ de ‘parecer’ àquilo que, a despeito de ser livre exercício de manifestação de pensamento, é apenas tentativa de calar o que vai de encontro àquilo que o “partido” – seja lá qual for – da “escola sem partido” crê deva ser posto em debate); todavia, ameaças desse tipo, por mais inócuas que pareçam, não podem ser ignoradas. O sr., seus chefes e seus seguidores são adultos que devem assumir a responsabilidade pelas ações persecutórias que desencadeiam e suas consequências. E é o que acontecerá – o sr., seus chefes e seus seguidores responderão judicialmente caso tentem vincular meu nome à sua campanha de bullying ideológico (...)”

O que se temos aqui é aquele velho e conhecido debate sobre ser ou não possível educar sem que haja uma concepção política por trás, discussão similar à possibilidade de haver imparcialidade nos meios de comunicação. Discussões essas que não levam a nada, a não ser desviar a nossa atenção para as reais demandas da sociedade. Ora, retirar da educação o seu caráter político é extrair todo o seu sentido. Tibiriçá, em sua brilhante defesa, lembra que:

“O problema está em desafiar este ideário tradicionalista e afinar-se… com a Constituição! Sim, pois invocar a liberdade de crença, ou mesmo a LDB, para defender uma limitação seletiva e arbitrária no discurso de educadoras e educadores é, por assim dizer, um tiro no pé. E isso porque, compreendido que toda forma de educação envolve escolhas políticas e discursivas e, portanto, é ideológica, bem como que a eliminação de formas de discriminação e preconceito são diretrizes legais nacionais e internacionais que devem orientar o agir de todos os atores sociais, aí incluídos educadoras e educadores, percebe-se que, mais do que um direito, é um dever da escola combater todas as formas de opressão existentes e, fundamentalmente, questionar a própria estrutura social desigual na qual estamos inseridos”.

Escolhas políticas são inerentes à educação, sendo ela própria uma iniciativa política: escolarizar a população. Aprender que o Brasil foi “descoberto”, que D. Pedro I é o “defensor perpétuo do Brasil”, que Duque de Caxias é herói nacional, são conteúdos totalmente politizados, no sentido de tentarem minimizar a nossa condição de país colonizado e dominado culturalmente ao longo dos séculos.

Há política em tudo isso. Mas quando a patrulha da “escola sem ideologia” vem à tona, é para defender uma despolitização bastante parcial. Falar de “Descobrimento”, pode. Mencionar reforma agrária, não pode. Ensinar nomes de rios e capitais, pode. Discutir a questão racial, não pode. Passar os valores da “família”, pode. Debater casamento homoafetivo, não pode.

O pior de tudo é que o cinismo desses grupos não esconde que o “sem partido” é partidário, sim, seus asseclas são seguidores de uma ideologia liberal conservadora, alheia à agenda dos direitos humanos, avessa aos movimentos sociais, incapaz de sustentar sequer a democracia que o Brasil conseguiu a duras penas.

Adriano Senkevics, pesquisador do INEP, lembra, com propriedade: “não me assusta que este cerco armado contra qualquer formação crítica – repito, dentro dos marcos da nossa democracia – seja a maior opositora à incorporação das disciplinas de sociologia e filosofia nos currículos. É óbvio. O que são essas disciplinas senão um campo para o sujeito repensar seu papel na sociedade, repensando-a por inteiro? Dá no que dá: jovens saem da escola sem ter as mínimas noções do sistema político, da sociedade, do modo de produção econômico etc. Saem, portanto, despolitizados”.

A lei que foi votada e aprovada em Picuí, na verdade, insinua que a educação em nosso município é uma doutrinação de esquerda – o que passa longe da verdade; se assim fosse não teríamos notícias que relatam violência, racismo, homofobia, classismo, machismo nas escolas de todo o Brasil. Assim, “não se trata de ‘despolitizar’ a escola, mas de definir coletivamente com a sociedade quais são os marcos políticos que vão nortear a educação, das políticas públicas aos currículos”. E isso, meus amigos, não é feito amordaçando os professores de lugar nenhum. Isso é feito através do debate!

Eu arremato com as palavras de Senkevics:
“O silêncio que se pretende impor é uma forma brutal de calar as desigualdades, injustiças e opressões que estão às vistas de toda a sociedade e que, elas mesmas, entram com força na própria escola: a violência, a discriminação, a marginalização, a repressão policial. Não sou eu que estou falando: essa é a realidade que uma boa parcela dos/as estudantes pobres da periferia vivem, os quais compõem significativamente a massa de crianças e jovens das escolas públicas”.

Finalmente, professores e educadores de Picuí: é chegada a hora de reagir, pois caso vocês se deixem amordaçar agora, as novas gerações picuienses serão cérebros desprovidos de idéias e ideais – coisa bem comum nos tempos da ditadura...

Contem comigo.

* Fabiana Agra é advogada e jornalista.
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Quem é Dema Macedo

O Blogueiro Dema Macedo é considerado um líder comunitário dos mais atuantes em sua região no Bessa, com ampla participação nas comunidades ao redor, também foi presidente da Associação de Moradores no Condomínio Valparaíso. Suas ações consiste em fazer a ligação do poder público com as comunidades, procurando solucionar os problemas sociais, de infraestrutura e apoio familiar. Também participa ativamente do cenário político em em Cuité, município onde nasceu.
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