SOLTE O PASSARINHO ...

Embora as autoridades ambientais ainda não saibam como proceder, a caça e cativeiro de aves virtuais irei aqui escrever um pouco da minha experiência com alguns ornitólogos.  Criar para soltar, assim devemos nos comportar com a reintrodução na natureza. 

Se pensarmos apenas em prender, posso afirmar como ex criador registrado pelo IBAMA e SUDEMA tendo credenciais para falar o exemplar que nasceu fora do cativeiro deve estar fora dele, e o que nasceu nele deve estimular a reprodução para repovoar e perpetuar a espécie na natureza. 

 Diferente de algumas espécies políticas nocivas que querem se perpetuar no poder.  Como Patativa do Assaré bem dizia em um dos seus poemas “ Quando o sol nascente se levanta espalhado os seus raios sobre a terra , entre a mata gentil ( essa gentil mesmo) da minha serra em cada galho um passarinho canta. 

Da canção do exilo das melhores palmeiras , podemos recitar parte do poema de Gonçalves Dias " Minha terra tem palmeiras , onde canta o sabiá ; as aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá"

Como bem disse o conterrâneo Charles Camaraense " Não se corta a asa de um pássaro para tentar tirar a sua liberdade, muito menos podem impedir que o povo sonhe com dias melhores"  Um recado para quem armou uma arapuca para prender passarinho.

Nas injustiças quando não se dá o direito do contraditório de pelo menos ouvir o pássaro cantar, transcrevo uma estória da escritora Cíntia Flor.

Joãozinho acordou bem cedo e deitou-se junto ao pai na cama, acariciando seus cabelos loiros, o pai já imaginava como seria seu dia no trabalho, até que João interrompeu seus pensamentos:
- papai me dê um passarinho?
- Um passarinho?
O pai saiu para o trabalho já pensando que teria que comprar-lhe o bichinho, mas seria bom, pois o filho teria com o que se divertir.
A gaiola era linda, dentro, um passarinho branco e amarelinho. Joãozinho ficou encantado e em seus olhos rolaram pequeninas lágrimas de emoção:
-É meu papai? Vou poder brincar com ele?
O pai acenou com a cabeça, e logo foi procurando um lugar para a linda gaiola.
No dia seguinte, quando Joãozinho acordou, foi logo dar comida pro amiguinho, e assim foram vários dias, o pai estava contente, pois o garotinho agora tinha algo para lhe dar alegria.
O passarinho cantava todas as manhãs, e Joãozinho pensava: ele está feliz, por que eu estou aqui cuidando dele...
Certa manhã, o passarinho parecia triste, não cantou. Joãozinho pensou que ele poderia estar doente, então o levou ao veterinário:
- Moço, ele é um passarinho muito feliz, todos os dias ele canta, está sempre alegre, e hoje ele não cantou, o senhor pode curá-lo? Ele é o meu melhor amigo!
Depois de examiná-lo, o velho senhor, orientou o garoto:
- Criança, você gosta de correr, jogar bola, tomar sorvete...?
_ Claro!
_ o Passarinho também gosta de voar, lá no céu, junto com os outros pássaros... Ele está triste, mas isso vai passar e quando ele acostumar voltará a cantar, fique tranqüilo.

O garotinho voltou para casa, e quando seu pai chegou, disse:
-Papai, solta o passarinho.
- Mas se eu soltá-lo vai embora, não vai ficar aqui com você...
- Se ele quiser ir embora, pode ir, mas vai estar feliz e vai cantar todas as manhãs, mas se ele for mesmo meu amigo voltará para me visitar...

O pai ainda rejeitou a idéia:
- Mas filho, custou dinheiro.
- É pai, pode tirar da minha mesada, eu compro a liberdade dele.

E assim foi... Todo dia Joãozinho, ia até a janela com a esperança de encontrar o passarinho, passava pela gaiola, e lembrava-se de seu canto.
Um dia o pai o viu triste e disse:
- Não falei a você, não poderíamos tê-lo soltado, agora ele nunca mais vai voltar...
- Mas ele está feliz, um dia se ele voltar, não deixará de cantar...
E no outro dia estava lá tomando seu café da manhã, quando na janela apareceu um passarinho todo amarelinho, cantando, pelo ar.

O Verdadeiro amigo sempre está por perto...


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Quem é Dema Macedo

O Blogueiro Dema Macedo é Presidente da Asssociação de Moradores no Condomínio Valparaíso no Bessa, em João Pessoa, com ampla participação nas comunidades ao redor e locais do Bessa, faz a ligação do poder público com as comunidades, procurando solucionar os problemas socias, de infraestrutura e apoio familiar. Também participa ativamente do cenário político em em Cuité, município onde nasceu.
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